Digite sua palavra-chave

Notícia

Alunos de Direito da FASVIPA visitam presídio de segurança máxima e confrontam teoria com realidade carcerária

Quarenta alunos do curso de Direito da Faculdade São Vicente de Pão de Açúcar (FASVIPA) realizaram visita técnica ao Presídio do Agreste, unidade de segurança máxima da região. A atividade reuniu turmas de três períodos diferentes e teve como objetivo aproximar os estudantes da realidade do sistema prisional brasileiro, espaço que, inevitavelmente, fará parte da vida profissional de grande parte dos futuros operadores do Direito.

A visita levou os estudantes a conhecer de perto a estrutura física da unidade, o quadro de servidores, os protocolos de segurança e o cotidiano dos custodiados. Para muitos, foi o primeiro contato direto com um ambiente que, nos livros, aparece descrito em artigos e princípios, mas que, na prática, revela tensões que nenhuma sala de aula consegue reproduzir sozinha.

A atividade foi conduzida pelos professores Limerges Almeida e Josuel Omena. Para o professor Limerges, a experiência tem objetivo claro:

“O Direito que estudamos nos códigos precisa se encontrar com o Direito que existe na vida das pessoas. Quando um aluno entra em um presídio pela primeira vez e vê de perto as condições em que seres humanos cumprem pena, algo muda nele, e esse é exatamente o profissional que queremos formar: alguém que sabe que por trás de cada processo há uma história, uma família, uma dignidade que o Estado é obrigado a respeitar, independentemente do crime cometido.”

O debate provocado pela visita vai além do campo técnico-jurídico. Em um país com a terceira maior população carcerária do mundo, compreender o funcionamento do sistema penitenciário é condição básica para qualquer profissional do Direito que pretenda atuar com responsabilidade — seja na advocacia criminal, no Ministério Público, na Defensoria Pública ou na magistratura.

Para a FASVIPA, iniciativas como essa reforçam uma concepção de ensino jurídico que não se encerra nas paredes da faculdade. Formar advogados, juízes e defensores comprometidos com o sertão alagoano exige, antes de tudo, que esses profissionais conheçam o território, e as pessoas, sobre os quais o Direito vai incidir.